domingo, 6 de janeiro de 2008

O dia amanheceu triste, chorando saudade. O meu peito pede o calor do teu abraço e o sabor dos teus lábios tocando os meus, num beijo eterno. Saudade de um momento que dura sempre que o tempo não chega. O dia amanheceu cinzento, pintando a minha alma de melancolia. O olhar perde-se no horizonte, transformado pela na chuva miudinha que cai sem se queixar. Toda a natureza parece sentir a mesma solidão sem os teus braços em torno do meu corpo. O mesmo silêncio da tua voz já se faz ouvir lá fora e enche minha alma de uma doce tristeza. Tudo parece tão cinzento, esquecido pelo brilho do sol e esta chuva que cai, silenciosa, é apenas a fracção de milhões de lágrimas que os meus olhos presos nos teus não deixam chorar. É este vazio do meu olhar que não me deixa chorar. Então, deixo eu, que a natureza chore por mim. O dia amanheceu cansado, procurando por ti. Procurou, comigo, por entre nuvens de sentidos que ficaram gravados numa dessas cassetes empoeiradas. Peço a um raio de sol que leve um sorriso ao teu rosto. A chuva bate na minha janela, e canta em meu peito a doce melodia do meu amor. Não quero sair desta nostalgia que cheira a terra molhada e que se transforma no aroma da tua pele, no sabor de um beijo teu. O dia amanheceu em silêncio, com teu nome em meus lábios. Lá fora as rosas ostentam suas pétalas, colorindo o cinza do dia, sem se importarem com a chuva que cai. Baloiçando-se ao sabor do vento, abrem-se para um raio de sol imaginário por entre os pingos de chuva. Como elas, também eu mostro a cor do meu coração, pintando minha vida com as cores suaves de um terno sabor a chocolate quente, tão quente como as minhas mãos quando apertam, com força, as tuas, temendo a tua fuga. Também eu abro minha alma, porque, misturado com as lágrimas que chovem na minha vida, nasce a esperança de mais um dia que me ilumina de cada vez que um raio de sol te leva um sorriso ao rosto..
(mesmo quando o dia amanhece triste)