segunda-feira, 7 de abril de 2008
À tua volta vejo um céu enublado, céu esse que desapareceu há muito e só no teu mundo perdura. O teu céu nunca se cansa, cansado já de si mesmo. Eu sei que te cansas dele, às vezes. Sei bem que deixaste de cantar as velhas canções. Sei que deixaste de acreditar no certo e no justo. Sei que pouco tens e que em pouco confias. E agora vejo-te caminhar sob uma rua desnudada, de janelas fechadas e de nomes desconhecidos. Não queres entrar. Preferes não entrar. Reconheço, por vezes, o medo nos teus olhos.. o mesmo medo a que assisto sempre que a minha imagem perdura naquele maldito espelho. Já não sei o que é e sei que tu também não sabes. A justiça há muito que partiu num comboio imundo rumo a lado nenhum. Não voltou. Nunca voltou. Distraída entre um mundo e o outro, empatada entre um trânsito que não passa nem deixa passar, deixo-me ficar a observar e a tentar perceber que mundo é o teu. Milhões e milhões de questões me surgem e as respostas ficam a pairar entre mais e mais dúvidas. Nunca chegou certeza alguma.. nem a mim, nem a ti. E a confiança.. ah essa confiança.. passou por ti sem parar e seguiu sem te questionar. Tens "uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma", mas sei bem que esse teu céu enublado vai um dia irradiar.