domingo, 11 de maio de 2008


















Há dias em que fico saturada das mesmas rotinas, das mesmas pessoas, das mesmas palavras, dos mesmos gestos, das mesmas atitudes, da minha própria impaciência. Nesses dias apetecia-me partir com uma mochila às costas, com o absolutamente necessário, rumo a Marte. Levar-te-ía no bolso, com certeza. És bem grande aos meus olhos, mas cabes-me no bolso e se não couberes, vais-me no coração. Há dias em que me apetece juntar numa mão tudo o que consegui até hoje e lançar ao vento. Lançar todas as recordações, todos os momentos, todas as lágrimas e sorrisos. Ás vezes, pura e simplesmente, o passado deixa de importar, pela tensão do presente. Há dias em que me apetece desistir de tudo e é nesses dias que olho para ti, para as tuas manias e para as tuas expressões trapalhonas, de quem nunca está bem com coisa nenhuma. É nesses dias que fico atenta à tua forma despassarada e terrivelmente natural e depois dás-te conta disso e ficas a tentar perceber o porquê de estar a olhar para ti e nunca percebes. Depois insultas-me a abraças-me e eu tenho a certeza que pertenço ali, àquele espaço de tempo em que as coisas incertas, são certas por meros segundos. Dizes que me odeias e certifico-me de que me amas. Dizes que és bom e mesmo engraçado e é impossível falar contigo, sobre qualquer coisa decente. Mas afinal, para que serve a decência? Basta alinhar contigo para deixar o tédio de lado e partir para Marte em busca de mais um dia com um sorriso na cara. Porque afinal, tudo pode estar cansativo demais que nunca irei enjoar de ti. É nesses dias entediantes que tenho a certeza de que te vou levar sempre no bolso. E então, rio-me da minha própria estupidez, por ter um dia pensado que poderia desistir de tudo aquilo que me faz lutar.