
Há dias em que fico saturada das mesmas rotinas, das mesmas pessoas, das mesmas palavras, dos mesmos gestos, das mesmas atitudes, da minha própria impaciência. Nesses dias apetecia-me partir com uma mochila às costas, com o absolutamente necessário, rumo a Marte. Levar-te-ía no bolso, com certeza. És bem grande aos meus olhos, mas cabes-me no bolso e se não couberes, vais-me no coração. Há dias em que me apetece juntar numa mão tudo o que consegui até hoje e lançar ao vento. Lançar todas as recordações, todos os momentos, todas as lágrimas e sorrisos. Ás vezes, pura e simplesmente, o passado deixa de importar, pela tensão do presente. Há dias em que me apetece desistir de tudo e é nesses dias que olho para ti, para as tuas manias e para as tuas expressões trapalhonas, de quem nunca está bem com coisa nenhuma. É nesses dias que fico atenta à tua forma despassarada e terrivelmente natural e depois dás-te conta disso e ficas a tentar perceber o porquê de estar a olhar para ti e nunca percebes. Depois insultas-me a abraças-me e eu tenho a certeza que pertenço ali, àquele espaço de tempo em que as coisas incertas, são certas por meros segundos. Dizes que me odeias e certifico-me de que me amas. Dizes que és bom e mesmo engraçado e é impossível falar contigo, sobre qualquer coisa decente. Mas afinal, para que serve a decência? Basta alinhar contigo para deixar o tédio de lado e partir para Marte em busca de mais um dia com um sorriso na cara. Porque afinal, tudo pode estar cansativo demais que nunca irei enjoar de ti. É nesses dias entediantes que tenho a certeza de que te vou levar sempre no bolso. E então, rio-me da minha própria estupidez, por ter um dia pensado que poderia desistir de tudo aquilo que me faz lutar.