quarta-feira, 18 de junho de 2008
Às vezes tenho mesmo saudades tuas, outras vezes não. Às vezes peço para acordar e ver que afinal ainda estás sentado no sofá com o pc à frente, debruçado sobre mil e um papeis. Peço para te voltar a ver 5 minutos por dia, apenas de passagem, ao almoço ou depois do jantar, quando vou dormir. Desejo que me obrigues a ir contigo ver jogos de futebol e que uses isso para me castigar. Ninguém sabe, mas às vezes fazes-me mesmo falta e só queria voltar a ter aquilo que sempre condenei e a voltar a assistir a coisas que sempre critiquei. Hoje acho que me habituava a ir atrás de ti para fechar as portas que deixavas abertas e apagar as luzes que te esquecias de apagar. Por 2 ou 3 minutos queria ter tudo de volta, o bom e o mau. Porque sabes, aqueles poucos momentos em que olhavas para mim e dizias que tinhas muito orgulho em mim ou quando me abraçavas e dizias "não chores, eu reclamo contigo mas tu sabes que eu gosto muito de ti" ou quando dizias que ia poder contar sempre contigo... nesses momentos esquecia tudo o que fizeste. Pergunto-me se tudo isso era farça. Pergunto-me quantas vezes me mentiste, quantas disseste a verdade. Sei que nunca quiseste ficar, nunca tentaste. Sei que um dia vais olhar para trás e ver que perdeste tudo o que tinhas, tudo de bom que tinhas. Não tinhas muito, é certo, mas isso foi porque nunca lutaste por mais. Vais envelhecer e cansar-te de pensar que tens 20 anos. A tua juventude há muito que passou. Tarda nada só vais querer repousar e ter alguma coisa palpável, alguma coisa que não esteja em constante movimento, algo que não seja incerto. E vais ter? Vais ter? Vais afogar-te em memórias e vais querer recuperar alguma coisa que antes era certa para ti, alguma coisa segura. Ninguém, nem mesmo tu, vai apagar meio ano de ausência total... nem uma palavra, nem uma acção. Ninguém vai abafar a distância que se faz sentir há quase um ano. Mudaste as tuas próprias constantes. Alteraste a tua própria identidade. Estás irreconhecível e não te quero conhecer.