quarta-feira, 11 de junho de 2008

o tempo perguntou ao tempo

Pergunto-me porque é que a vida te tirou de mim se tudo o que eu queria era ter-te mantido. Não me esqueci de nada porque prometi que jamais me iría esquecer do melhor que eu tive quando não tinha nada. Nunca me vou conseguir esquecer de quem me ajudou a ser quem sou eu, de quem nunca me deixou parar de lutar, de quem sempre me defendeu e sempre se ofereceu de saco de boxe. Há quem diga que eu esqueço o que fazem por mim, mas ninguem sabe o as visões que me passam uma vez ou outra. Ninguem sabe que quase choro quando recebo uma mensagem tua. Porque algo banal, para mim, sendo tu, não é assim tão banal. Estes anos pesam-me como toneladas e massacro o tempo por te ter lavado embora. Aprendi que me tiram tudo aquilo que mais amo e aprendi porque tiveram coragem de te tirar de mim. Logo a ti, a ti que és quase um irmão aos meus olhos. Banalizo as horas, os minutos, porque foram sagrados, um dia, quando passadas contigo. Ainda me lembro das tuas expressões zangadas, das tuas expressões faladas. Lembro-me de quando choravas e tentavas esconder porque "um homem não chora". Lembro-me do raio do teu sorriso que originava o meu. Lembro-me quando me davas mão e dizias que eu era a tua melhor amiga e que iamos estar sempre juntos. Lembro-me quando dizias que eu era a única que fazia alguma coisa por ti. Lembro-me da última vez que te vi, como se tivesse sido há segundos, porque jamais esquecerei, jámais conseguirei eliminar da minha mente o dia em que te levaram para longe e nunca mais te deixaram voltar. Sei lá eu porquê, mas nunca deixaram. Penso que tens medo agora, tanto quanto eu, longos anos nos separam e as feições já não são as mesmas. As atitudes mudaram, os pensamentos tambem. As dores e as angústias maiores, já tu não assististe. Os sorrisos, os momentos inesqueciveis, as loucuras, esses não foram comigo passados. Muitas alterações recaíram sobre ambos e o presente é mais pesado que um passado muito longinquo. Temos medo, agora, de descobrir seres completamente distintos, completamente desenquadrados. Eu tenho medo, muito medo. Temo que tenhas deixado de ser a pessoa que eu admirava com todas as minhas forças, não por seres perfeito, mas por possuíres tanta simplicidade e por seres o mais "banal" que alguma vez conheci. As minhas saudades, guardo-as agora, onde as guardei o tempo todo, porque nem as saudades são maiores que o medo de perder as recordações da pessoa que sempre olhei com olhos familiares.