quinta-feira, 12 de junho de 2008
Portugal
Numa altura em que o país se encontra inserido em inúmeras greves e numa grave crise, todos parecem esquecer a situação e partir a uma união incrível por uma causa inacreditável. De Norte a Sul, a população juntou-se num movimento multicolor com bandeirinhas patrióticas e gritos de "Portugal" entranhados nas goelas. Deixou-se para trás, pelo menos durante o Euro 2008, toda a atitude de revolta. E, embora o país não esteja na melhor posição, é sempre bom o dinheiro que entra, não para o povo, mas para os grandes, para aqueles que sempre serão grandes. O país, esse, continuará sempre na mesma, porque os ladrões nunca deixarão de roubar. Portanto o caos só pode aumentar. Gente que não se conhece, pessoas que não se enquadram, todas as elas saem à rua e com mais ou menos nojo uns dos outros gritam um só nome. Crianças exibem orgulhosamente o novo equipamento da selecção (que custou aos pais os olhos da cara, mas o prazer de o mostrar é tanto, que se deixam levar) apanhados no meio da folia dos mais velhos, os cegos mentais que não percebem que a felicidade dura apenas 90 minutos e que a cambada de abutres que os gasta a correr atrás da bola não precisa do apoio de multidão alguma senão de um livro de cheques e um bom carro para mostrar. Sempre existem os "melhores do mundo" que até chegam modelos dado que as desesperadas que não têm mais nada para fazer se infiltram nas bancadas e babam desesperadamente por eles. A verdade é que o facto de serem os "melhores" e sabe se lá onde "bonitinhos" não os torna grandes portugueses. O facto é que na hora da verdade, o português é tão ridicularizado ao ponto destas criaturas dizerem em entrevistas "houveram momentos em que as bancadas se alevantaram". Espero então, pelo dia em que a glória momentânea acabará e os portugueses que gritavam se calarão e insultaram jogadores e seleccionadores, porque é este o ciclo vicioso que tem vindo a decorrer. Parte de uma euforia para uma disforia e acaba com os mesmos rostos cansados e desmotivados, de volta as greves e revoltas de sempre.