quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Os meus braços procuram um labirinto, no vácuo e perco-me em imagens tão doces e a vista turva-se. Sinto-me quente e segura. O tempo acelera e arrasta-se. Fica um frio na minha mão, por vezes, quando a largas. Não é necessário. Há uma conexão. Um elo invisível. É como se um fio de nylon, muito ténue, ligasse um coração a outro e deixasse um pouco de um coração no outro. Um pouco da tua alma na alma na minha, para que te possa guardar sempre junto a mim. Um fio que não se corrói com o tempo, nem com aquele líquido corrosivo que nasce nos olhos e dá saliência ao transparente que é reina em meu peito. Não corrói, não fracassa. Se me contares essa história outra vez, deslizo entre gargalhadas, sinceras e vesgas de coragem dos quatro portos de horizonte. E entre aquele sol dormente no castanho do olhar sonhador que fuma de golada leves suspiros de tormentos e cumplicidades em pés de areia. Conto palavras, entre portas entreabertas, de toques fugidios que matam a sede do querer e do que bem se quer. E o dormir e o acordar dos lençóis que vagueiam entre murmúrios e segredos e a magia dos dedos, das vozes transparentes e ingénuas. E entre pés descalços, perdidos e felizes sobe o balão. O balão mais bonito que algum dia se viu. E trago-o preso ao meu pulso por um cordel cor-de-nada. Salto, corro, grito, choro e ele continua comigo. Dorme e acorda comigo. Dá-me as mãos e os joelhos tremem-me até o agarrar com força e me perder no tempo. Aquele ar meigo do balão transmite-me a segurança que eu preciso. E voo com ele, contigo, meu balão bonito com um cordel cor-de-nada.