terça-feira, 1 de janeiro de 2008

o bicho-papão não virá esta noite

Deito a cabeça sobre as minhas próprias mãos e adormeço ao som da tua voz. Invades-me a mente todas as noites, como que uma rotina. Não adormeço até ter a certeza de que não perco nada. Quem me garante que amanhã, quando acordar, vou ter comigo quem me passe a mão pelos sonhos e me leve embora os pesadelos? Quem me garante que volto a ver as luzes da cidade reflectidas nos teus olhos? Quem me garante que amanha o sonho não acaba e continuo aqui, deitada sobre as minhas mãos, esperando que a tua voz me acorde e os teus lábios passem sob a minha boca para aterrar na minha testa? Eu quero o hoje, quero o amanhã e o depois. Quero subir e descer. Quero ganhar e perder. Se tiver a certeza de que estarás lá para me oferecer um sorriso e para me acalmar o peito, venha tudo. Venham gregos e romanos. Venha o bem e o mal. Venha o que vier, não vou baixar armas, enquanto lutar a teu lado. Ainda no passado crucifiquei lágrimas e rebaixei tempestades. Por ti. Foi por ti.